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PostHeaderIcon Quantas lágrimas!

Ontem fui ao cinema com a Ferzinha, a Bruninha e o Lê, assistir o filme com o Richard Gere sobre o a lealdade do cão Hachiko – Sempre ao seu lado.
Fiquei pensando em quanto é gratificante ser escolhido por um cão. É muito bom poder escolher um cãozinho, mas ser escolhido… é tão mais especial, pensar naquele olhar que expressa tanta gratidão por nada que você tenha feito e que é um tudo para aquele serzinho que vai te acompanhar por toda sua vida.
Fui agraciada já duas vezes em ser escolhida pelo Bundão e agora pelo Banjo, histórias tão diferentes, destinos tão parecidos!
Por 17 anos Bundão foi meu amigo, meu cãopanheiro, minha sombra diária em qualquer lugar que fosse em casa. O Banjo não é diferente, está sempre me observando, mesmo que ao longe, se me levando da cadeira ele já está em pé, pulando e fazendo festa. Se fico muito tempo no computador ele já vem empurrar minha mão com seu focinho gelado, quer sempre estar perto ou no meu colo. Um respeito que não existe, uma cumplicidade absurda, sempre um sorriso na carinha alegre, sempre um abano de rabo dizendo: oi, estou aqui do seu lado e te amo!
Quando somos escolhidos, fica difícil não gostar das artes desses seres, eles podem destruir seu sofá, mas vão nos olhar com olhos tão alegres como que dizendo: venha, vamos nos divertir e fazer nevar na sala! Ou quando puxam a toalha da mesa e roubam nosso jantar dizendo: – vamos comer todos juntos no chão, é divertido!
Esses e tantos outros momentos mostram que viver vale a pena quando se ama ou é amado por alguém que não necessita nada mais em troca que apenas a sua presença e um pequeno afago ou um sorriso.
Normalmente não acredito em deus, mas nessas horas paro para pensar que força é essa que faz com que fiquemos ligados a seres tão especiais, talvez deus!

Também sei que saí chorando tanto do cinema, em imaginar quanto tempo aquele cão esperou por seu dono, dia após dia durante 10 anos, até ficar velhinho; ao mesmo tempo em imaginar quanto tempo o Bundão aguentou firme ao meu lado, ano após ano enquanto eu lhe suplicava, só mais um ano meu velho! só mais um pouco da sua companhia. Talvez se não tivesse libertado sua mente ele ainda estaria aqui do meu lado, mas foi só dizer, agora você pode ir, que vou ficar bem que, em menos de 10 dias ele se foi. Se foi me olhando com aqueles grandes olhos azuis que não se fecharam com a morte e ficaram me fitando enquanto eu me esvaia em lágrimas e, até hoje imagino que um dia vou pro céu dos cachorrinhos encontrar meu velho e minha filha. São momentos em que sentimos a verdadeira dor na alma, uma dor que não pode ser medida, uma dor que vai e vem com emoções e lembranças.
Cheguei em casa e abracei meu Banjo, querido amigo que festeja a cada minuto, que me morde e faz arte o tempo todo e agradeci, agradeci muito por ter um novo companheiro fiel. Feio, descabelado, fedido, sujo, que ao mesmo tempo se torna um anjo.
Quando o Bundão era vivo eu olhava para ele e via uma pessoa dentro daquele cão, uma pessoa que me guardava os pensamentos e minhas angústias transformando minhas dores em alegrias. Com o Banjo eu vejo um pequeno anjo maroto, que faz tudo para me fazer sorrir.

Mesmo sabendo que essa dor da alma vai reaparecer de repente, e que um dia, essa dor vai se multiplicar por vários outros cães que me escolherem, assim eu sou feliz, pois tenho verdadeiros companheiros de vida!

Bjunda da Nibelunga )(

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