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PostHeaderIcon A última sexta-feira no terreno baldio.

Na sexta-feira, a última em que o Dudú ficou no terreno e na qual ele mudou de nome foi um tanto dramática para mim.
Logo cedo recebi um telefonema da Vilminha – que trabalha comigo na escola e sabia que eu estava cuidando do cachorro -, dizendo que um pitbull tinha atacado o Dudú e ninguém mais tinha visto ele, além de ter ficado muito sangue na praça.
Na hora de ir trabalhar fui com o coração apertado, imaginando que ele já pudesse estar morto.
Chegando na rua, lá do alto fui descendo para ver se encontrava o bichinho em alguma moitinha da praça, quando cheguei perto do ponto de ônibus, lá estava ele enroladinho no meio do mato, no lugar de sempre e, mesmo machucado saiu para vir me encontrar. Estava com uma das perninhas traseiras inchada meio que pendurada. Veio mancando ao meu encontro, deitei ele no chão e comecei a procurar se tinha algum machucado a mais. Estava com medo, pois ainda assim era um cachorro de rua e que gostava de latir e rosnar para todos.
Fiquei mais sossegada em saber que ele estava bem, apesar de parecer febril; comecei a falar com todos na escola sobre ele, se alguém queria adotá-lo, mostrei as fotos que havia tirado dele, mas ninguém se interessava.
Justo naquela noite o tempo havia mudado para chuva e pensei que um cachorrinho com a perna quebrada, febril, talvez não sobrevivesse àquela noite.
Uma das professoras disse que pagaria o veterinário para ele se eu o deixasse em casa até se recuperar e conseguíssemos encontrar um novo lar para ele.
Fiquei pensando como ia levar esse cachorro para casa, sozinha, a noite: um cão desconhecido que nunca tinha andado de carro e pior, cheirava a banheiro de rodoviária. Meu marido ia me matar se eu colocasse um animal desses dentro do carro. Mas por fim, meu coração é maior que meu ouvido!!!
Vários alunos do noturno foram ver o Dudú, mas ele rosnava para todos, menos para mim.
Foi no final desse dia (noite) de trabalho que resolvi tentar pegar aquele cachorrinho bravo e colocar dentro do meu carro e, finalmente começar a chamá-lo de Banjo.
Por quê Banjo? Por que ele me lembrava daqueles cachorrinhos que ficam na varanda daquelas casas de madeira que existem no Mississipi, Louisiana ou qualquer outro lugar que vemos naqueles filmes americanos, onde um homem vestido de macacão, fica sentado com seu banjo na cadeira de balanço e sua espingarda encostada na parede, enquanto seu cachorrinho pulguento fica olhando e escutando suas músicas!
Nasceu o BANJO, um anjo que veio para alegrar minha vida.

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