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Archive for março, 2010

PostHeaderIcon Relembrando

Ontem no serviço estava ouvindo uma rádio em que tocava Djavan.
Comecei a me lembrar de alguns lugares que frequentei e tocava esse tipo de música ao vivo:

Chão de estrelas, abajur lilás, toca do leão,  quintal brasileiro, paraty – todos bares de minha adolescência precoce, onde bebia todas, fumava todos, as pessoas eram diferentes como eu, conversava com intelectuais que acreditavam que iriam mudar o mundo, e hoje estou aqui, apenas relembrando de um pedaço pequeno do meu passado!

Foda!!!

Bjunda da Nibelunga )(

PostHeaderIcon O que foi e nunca será

Nasceu um bebê perfeito, amado, talvez não planejado ou esperado.
Foi uma criança talvez difícil, só quem conviveu pode dizer. Tinha medo, não entendia.
Cresceu, não era nenhuma princesa ou beldade, mas tinha lá seus charmes e encantos.Seu forte era a inteligência que nunca lhe serviu de nada.
Teve o primeiro namorado, mas não o primeiro amor. Teve seus ficantes, mas não seus amores. Teve a primeira transa, a segunda, a terceira; mas não seu verdadeiro amor.
Conheceu um dia uma pessoa especial, a primeira transa com seu verdadeiro amor. Mas deixou que a vida passasse e levasse o verdadeiro amor embora.
Os anos se passaram e tudo sempre foi tão igual.
Achava que era feliz.Saia para tomar porres com os amigos e sempre estava feliz, experimentou maconha – gostou, mas nunca mais usou; preferia beber todas e continuar feliz. Poderia ter experimentado todas as drogas do mundo, mas era careta demais para isso também.
Sexo sempre foi bom, também a deixava feliz.
Fez muitas cagadas na vida, deu muita cabeçada, mas ainda assim achava que poderia continuar feliz. Não consegui ouvir as vozes que a cercavam.
Nunca soube realmente o que era a felicidade, sempre o passado era ou foi o melhor tempo da sua vida.
Agora, meia vida, igual a pneu que não presta para muita coisa.
A bebida já não a deixa feliz, apenas por uma ou duas horas, o que realmente a deixa feliz são seus sonhos dormidos engraçados, perigosos, onde pode ser a vilã, a mocinha, a donzela ou a puta preferida do seu macho perfeito.
Deixou a vida escorrer pelas mãos como areia no deserto.
Hoje não sabe mais se o amor existe, se a amizade existe, se a vida existe ou valha a pena para ser vivida.
Os encantos não mais existem, a única tortura é ainda ter inteligência que não vale para nada, o corpo deixou de existir, o sorriso deixou de aparecer, o que lhe resta é esperar a vida continuar passando sem deixar muitos danos aparentes.

Quem quer ser assim?

PostHeaderIcon Prisioneiros

Muitas vezes eu fico olhando para alguns animais e imaginando que eles tem uma alma presa em um corpo que as vezes é muito limitado para eles.
Seus olhos dizem mais que mil palavras, sua felicidade infinita mesmo depois de uma grande bronca, sua lealdade e sua pureza, são tantas as qualidades que as vezes não parecem pertencer àquele corpo limitado, sem palavras.
Tantas vezes também fico imaginando que não pertenço a este corpo. Nunca fui uma pessoa vaidosa ao extremo, mas o mínimo de estética seria natural.
Conversei muito com minha avó nesta semana que minha mãe estava viajando e ela me disse que desde sempre foi uma pessoa depressiva e que imaginava que morreria aos 18 anos. Muitos 18 anos se passaram, e ela ainda está aí. Se contenta com pouco, não sai, não gosta de aglomerações, se satisfaz com a família, suas novelas e seus crochês.
Acho que puxei a ela nesse sentido, nunca encontrei um verdadeiro sentido na minha vida, os desafios são desamarrados tão simplesmente que acabo por não me interessar. Amo minha família, minhas filhas acima de tudo, amo meus bichinhos; ao mesmo tempo encontro tanta maldade e desigualdade que também acho que não pertenço a este mundo.
Já nem sei se existe alguma vida após a morte, ir e voltar tantas vezes para quê?
A vida é bela, maravilhosa? Sim! Se você olhar o céu, a chuva, o luar, os animais ela é sim, maravilhosa; mas e o que está por trás do cotidiano?
Eu gosto de sentar e ficar observando  tudo a minha volta, se possível registrar alguns momentos em foto e fazer disso tudo poesia para tentar tornar tudo o que acho feio em beleza.
De que vale a vida ser maravilhosa apenas em meu mundo particular e em meus sonhos todas as noites? Queria encontrar respostas e maneiras de arrumar o que acho que está errado, impossível!

Então, de que vale a pena ficar presa em um corpo que não me pertence, em um mundo que não me pertence, em meus sonhos que são irreais, em minha imaginação  se somos todos apenas uma essência?

Queria me deitar com meus cães em um lugar lindo e sossegado e esperar que o tempo me levasse, simples assim.

PostHeaderIcon Revoada de Libélulas

Hoje, no horário da minha janta, no finalzinho de tarde presenciei uma imagem que nunca tinha visto.
De repente, bem rente aos telhados e sempre na mesma direção, vi milhares, sim, milhares de libélulas voando todas numa mesma direção, como se estivessem fugindo ou, simplesmente  dando um passeio numa quente, muito quente tarde de verão!
Tem gente que chama de helicóptero, outros – como dizia meu avô: lava-cu -, mas na realidade pareciam fadas que desistiram desse povoado para procurar pessoas que verdadeiramente acreditem nelas.
As vezes o céu ficava quase preto, outras vezes parecia que o céu azul estava com catapora preta.
Foi divertido e encantador poder ver essa beleza da natureza, todas, indo na mesma direção sem olhar para trás… de onde vieram tantas?

PostHeaderIcon Repensando minhas prioridades

Ter saudades ou se fazer presente a qualquer custo?
Sinto que a cada dia falo menos e observo mais o que me rodeia.
Está chegando o tempo do meu inferno astral… a cada ano penso que pode ser o último ou desejo que seja o último.
Porque será que tem gente que tem sede de vida e eu, simplesmente vivo.
Acho muita coisa linda e maravilhosa, claro! pois não sou cega, mas justamente por não ser cega é que vejo tanta diferença, tanta indiferença, tanta doença, tanta dificuldade para tanta gente.
Ah! Talvez se tivesse nascido com pensamentos mais limitados  não sofresse tanto interiormente, tanta coisa que não gosto de presenciar, tanta coisa das quais tento fugir…
Chegou minha época da complicação psicológica… vou sobreviver a mais uma.

Bjunda da Nibelunga )(

PostHeaderIcon O porquê de não esperar … para dona Landa.

Conheci a Dona Landa quando eu tinha 15 ou 16 anos, era avó de um namorado da época. Fui tão bem acolhida naquela família e, principalmente por aquela avozinha gorducha de cabelinhos brancos e que tinha a gargalhada mais deliciosa que ouvi na minha vida.
Enquanto namorava seu neto, todos os finais de semana era ponto obrigatório, ir na casa da vó Landa a tarde e tomar um cafezinho.
Eu odeio café, dificilmente eu tomo, mas o dela eu sempre tomava.
Lembro do carinho que ela tinha por todos, quando ia passear e passava pela casa dela ela sempre arrumava a gola da minha jaqueta ou penteava meu cabelo, que dizia estar muito bagunçado para uma mocinha como eu. Lembro muito da sua gargalhada alta, contagiante; suas mãos gordinhas…
O tempo passou rápido, o namoro não deu certo e minhas visitas foram se espaçando cada vez mais.
O tempo passou mais rápido ainda e, apesar da dona Landa morar pertinho da casa da minha avó e eu passar na frente da casa dela eu sempre pensava: preciso visitar a vó Landa, tenho tantas saudades!!! – mas a falta de tempo era sempre maior, sempre temos alguma coisa para fazer, levar filhos, trabalhar, fazer compras, descansar… e com tanta coisa para fazer na vida acabei não conseguindo visitar minha querida avó do coração.
O tempo afasta as pessoas de nós, o tempo é muito mau!
Ainda por alguns anos eu encontrava Dona Landa na feira da ponte, nas quartas-feiras da vida, e sempre, sempre, eu ganhava um abraço muito apertado de amor, um beijo e palavras carinhosas.
O tempo passou mais rápido ainda, nesse pequeno resumo aí acima já havia se passado mais de 20 anos!
Ontem fiquei sabendo pelo seu bisneto que ela estava no hospital, mas ele, muito pequeno, não soube me dizer o que ela tinha. Daí liguei para sua filha Dida – também muito querida e madrinha da minha pequena Bruna – para saber o que havia acontecido.
Ela me contou, que estava com alzheimer, teve um AVC e que esteve hospitalizada nesta última semana. Perguntei se ela ainda se lembrava das pessoas, ela me disse que as vezes sim e que antes de ficar verdadeiramente doente ela sempre perguntava por mim.
Pedi autorização para a Dida para ir visitá-la e me programei para ir hoje. Passei numa loja de flores, comprei um girassol para alegrar seu dia, me arrumei – pois ela sempre gostava de me ver arrumadinha e fui ao encontro da minha grande amiga e vó querida, Landa.
Ao chegar lá imaginei que me sentaria ao seu lado e mesmo que ela não me reconhecesse passaria uma hora conversando com minha velhinha também querida – ia de qualquer maneira falar que amava muito ela, e que, apesar do distanciamento nunca esquecia dela. Mas a realidade foi tão diferente, estava deitada, com os olhos fechados e a sonda nasogástrica, gemendo, as vezes se debatendo.
Fiquei acariciando seus fofos cabelos brancos, seu rosto e seu braço quente. Falei baixinho algumas vezes que era eu que estava ali, ela levantava seu braço e mão esquerdo desgovernado, aí eu pegava sua mão e segurava um pouco.
Aproveitei para fazer que a amava, deixei as lágrimas rolarem sem que ela percebesse meu choro, disse que cheguei tarde e que ela foi muito importante e especial na minha vida. Mas queria ter falado tudo isso antes, ter visitado mais essa pessoa que me era sempre tão especial.
Eu sou uma burra mesmo!
Fiquei imaginando que logo, muito logo, é minha avó verdadeira e tão amada que poderá estar assim numa cama – o que é muito difícil para mim!
As enfermeiras falaram que ela não fala mais, mas as vezes sorri como se entendesse tudo o que falam, não pude ver seu sorriso para mim, me falaram que ela estava dormindo. Senti que foi a última vez que fui vê-la, mas ainda assim quero tentar outras visitas para ver se consigo encontra-la, ao menos, acordada.
Não quero mais deixar as pessoas passarem pela minha vida sem que eu possa estar sempre ao lado delas, nem que seja por 5 minutos, que não fariam falta da minha vida.
Ah! Vó Landa, que saudades daquele abraço quente e carinhoso!!! A senhora deixou uma marca muito grande de amor e amizade no meu coração!

Beijos, da Anne