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Archive for the ‘As Crônicas de Banjo’ Category

PostHeaderIcon É meu!!! É minha!!!

Com o passar do tempo, Banjo foi se acostumando com as pessoas da casa, mas…
Quando eu me sentava no sofá ninguém mais podia passar por perto, pois ele sobia até no encosto do sofá para avançar em quem passasse por ali.
Qualquer sacola ou bolsa deixada nos sofás ou nas poltronas, se fossem tiradas do local por qualquer outra pessoa que não fosse eu, a pessoa levaria uma mordida na certa.
Descobrimos que o bichinho tinha me adotado e tudo que estava perto de mim ou era meu ou era dele.
Ele descobriu os brinquedinhos de plástico da Shiva e uma bola de meia que fiz especialmente para ele, ele queria brincar, mas se tentássemos tirar da boca dele, outra mordida na certa!
Esse problema de morder com os brinquedos eu resolvi dando minha mão à palmatória, ou melhor, a uma boca canina cheia de dentes. Quando ele rosnou e tentou me morder, ao invés de tirar a mão, deixei lá para que fosse mordida, e vi que deu certo, não me mordeu, mas se tentar tirar qualquer coisa da boca dele e ficar com medo, perde um dedo!
Batizamos seus brinquedos (que eram da Shiva) de Ficofico, pois ele morde nervosamente tudo que põe na boca e os brinquedos com apito ficam fico-fico!

Ele começou a ficar mais dócil, mas ainda avança em todos que chegam em casa, fica tranquilo na varanda de casa e só late para o que lhe mostra perigo.
Continuou a dormir muito tempo na varanda, pois as vezes resolvia brigar (brincar) com o velho Toco, subindo em seu pescoço e segurando ele até ficar bravo! Achava melhor não misturar esses dois.

PostHeaderIcon Os próximos 10 e 40 dias

O tratamento com os medicamentos durariam aproximadamente 10 dias e nesse meio tempo comecei a procurar alguém que pudesse ficar com ele.
O Eduardo relutou, mas acabou concordando em cuidar dele, desde que ele ficasse na garagem.
Comecei a mostrar os outros cachorros para ele, parecia que não teríamos muitos problemas, então levamos o Banjo em outro veterinário para tomar as vacinas e assim poder circular entre os outros cachorros da casa.
O novo veterinário examinou a perna e disse que era difícil, mas como ele ainda era novo (pois ainda tinha um canino de leite junto de um permanente e todos os dentes branquinhos) talvez ele pudesse se recuperar sem a cirurgia e deu 40 dias de tratamento com remédios mais fortes.
Realmente tudo isso surtiu efeito, ele começou a andar melhor, a subir no sofá de casa, mas ainda assim continuava bravo.
Achava difícil encontrar alguém que quisesse um cãozinho tão bravo, ele não curte muito criança e uma pessoa idosa com a pele fininha iria se machucar facilmente com ele.
Os quarenta dias se passaram e sua perna ficou tão boa, mas tão boa que começou a fazer saltos acrobáticos nos sofás de casa.
Será que este seria seu novo lar?

PostHeaderIcon O 15º Dia – Veterinário e Banho

No dia anterior, ao chegar em casa, coloquei o cachorro no banco de trás do carro, que estava forrado por um edredom que nem eu sabia que estava no porta-malas do carro; e lá foi ele, cheio de dor, deitadinho observando o que podia acima da janela.
Toda vez que parava num semáforo ele latia para os motoqueiros que paravam ao meu lado. Foi a primeira vez que me senti protegida ao voltar para casa a noite.
Cheguei em casa, coloquei água, comida e uma coberta para ele na garagem e fui dormir.
Mesmo com a perna quebrada ele subiu os degraus da escada de casa e chorou um pouco, até que desistiu e foi dormir.
No 15º dia, um sábado, conseguimos a veterinária após as 12h00.
Enquanto isso eu dei uma saidinha de casa, ninguém ainda sabia que tínhamos novo hóspede na garagem.
As meninas chegaram em casa, e quando foram abrir o portão se assustaram com o leão que estava de perna quebrada na garagem e mesmo assim avançou nelas.
Logo depois veio o Eduardo, que também não conseguiu entrar em casa.
Até eu explicar que ele ficaria apenas alguns dias até se recuperar foi um parto de elefante.
Enfim chegou a hora de levar o novo Banjo para a veterinária, pedi para que as meninas fossem comigo para segurá-lo na frente, foi aí que descobrimos que ele morderia qualquer um que tentasse segurá-lo ou que tentasse movimentar-se no carro, inclusive eu, quando tentava mudar a marcha do carro.
A veterinária examinou e disse que provavelmente ele teria quebrado a ponta do fêmur, mas que teria que fazer um raio-x e talvez, muito que provavelmente uma cirurgia.
Claro que não tinha dinheiro para o raio-x, muito menos para uma cirurgia, mas com a ajuda das amigas professoras e familiares, consegui um pouco de dinheiro para fazer o raio-x e comprar um pouco de remédio.
Saindo da veterinária, fui direto ao pet shop onde sempre compro ração para meus outros bichos – a Shiva e o ainda vivo Toco -, a proprietária disse que daria banho e o tosaria ao preço de um cachorro pequeno e nem cobraria a tosa, só mesmo para me ajudar, já que era um cão de rua abandonado e precisando de socorros.
Fiquei esperando por quase uma hora até que saiu um cachorro magro, feio demais, sem pelos, mas cheiroso e de perna pendurada.
Aí começamos o seu tratamento!

PostHeaderIcon A última sexta-feira no terreno baldio.

Na sexta-feira, a última em que o Dudú ficou no terreno e na qual ele mudou de nome foi um tanto dramática para mim.
Logo cedo recebi um telefonema da Vilminha – que trabalha comigo na escola e sabia que eu estava cuidando do cachorro -, dizendo que um pitbull tinha atacado o Dudú e ninguém mais tinha visto ele, além de ter ficado muito sangue na praça.
Na hora de ir trabalhar fui com o coração apertado, imaginando que ele já pudesse estar morto.
Chegando na rua, lá do alto fui descendo para ver se encontrava o bichinho em alguma moitinha da praça, quando cheguei perto do ponto de ônibus, lá estava ele enroladinho no meio do mato, no lugar de sempre e, mesmo machucado saiu para vir me encontrar. Estava com uma das perninhas traseiras inchada meio que pendurada. Veio mancando ao meu encontro, deitei ele no chão e comecei a procurar se tinha algum machucado a mais. Estava com medo, pois ainda assim era um cachorro de rua e que gostava de latir e rosnar para todos.
Fiquei mais sossegada em saber que ele estava bem, apesar de parecer febril; comecei a falar com todos na escola sobre ele, se alguém queria adotá-lo, mostrei as fotos que havia tirado dele, mas ninguém se interessava.
Justo naquela noite o tempo havia mudado para chuva e pensei que um cachorrinho com a perna quebrada, febril, talvez não sobrevivesse àquela noite.
Uma das professoras disse que pagaria o veterinário para ele se eu o deixasse em casa até se recuperar e conseguíssemos encontrar um novo lar para ele.
Fiquei pensando como ia levar esse cachorro para casa, sozinha, a noite: um cão desconhecido que nunca tinha andado de carro e pior, cheirava a banheiro de rodoviária. Meu marido ia me matar se eu colocasse um animal desses dentro do carro. Mas por fim, meu coração é maior que meu ouvido!!!
Vários alunos do noturno foram ver o Dudú, mas ele rosnava para todos, menos para mim.
Foi no final desse dia (noite) de trabalho que resolvi tentar pegar aquele cachorrinho bravo e colocar dentro do meu carro e, finalmente começar a chamá-lo de Banjo.
Por quê Banjo? Por que ele me lembrava daqueles cachorrinhos que ficam na varanda daquelas casas de madeira que existem no Mississipi, Louisiana ou qualquer outro lugar que vemos naqueles filmes americanos, onde um homem vestido de macacão, fica sentado com seu banjo na cadeira de balanço e sua espingarda encostada na parede, enquanto seu cachorrinho pulguento fica olhando e escutando suas músicas!
Nasceu o BANJO, um anjo que veio para alegrar minha vida.

PostHeaderIcon Os 13 dias após o primeiro encontro.

No dia seguinte ao primeiro encontro, não imaginava que encontraria o cachorrinho novamente, mas lá estava ele e desta vez já veio me receber com seu rabinho de espanador girando como hélices de um helicóptero.
Na segunda tarde fui dividir minhas bolachas da janta com ele novamente, e fiquei brincando com ele por quase uma hora.
Nos próximos dias, ainda não sabendo se o encontraria ou não resolvi levar ração e um pote de água.
A primeira vez que levei ração numa sacolinha de supermercado, quando fui depositar a ração no chão ele tentou me morder, mas mesmo assim continuei a cuidar dele todos os dias.
Quando ia buscar meu carro para ir embora ele me acompanhava até a garagem da casa do meu primo e lá ficava no topo da rua vendo meu carro ir embora como se pensando: – Fui abandonado novamente…
Isso aconteceu no final do mês de junho de 2009, as vezes fazia muito frio, as vezes garoava e o tempo não ajudava, mas lá estava o cachorrinho que começamos a chamar de Dudú, sempre a esperar por algumas migalhas de bolacha e a ração que levava todos os dias.
Cheguei a ir no terreno no final de semana só para levar comida para ele.
As vezes quando me acompanhava até a casa do meu primo, tentava avançar em quem chegava perto de mim, mas até aí achava tudo normal.
Até que chegou a última sexta-feira em que o Dudú ficou no terreno…

PostHeaderIcon O Primeiro Encontro

Estava eu, um dia indo para o trabalho, quando já de longe avistei um cachorrinho cinza, com corpinho comprido e pernas baixinhas, com pelos compridos que cobriam seus olhos. Logo pensei: Que coisinha mais linda!
Cheguei perto dele e, ainda caminhando comecei a chamá-lo, tinha uma cara linda mas ficou meio bravo e arisco ao me ver. Como estava atrasada fui direto ao serviço.
No horário da minha janta, fui até o terreno perto do ponto de ônibus onde o cachorrinho estava naquele final de manhã e ele ainda estava lá, escondidinho no meio do mato, chamei-o para brincar e comer bolachas comigo. Comecei a ganhar sua confiança.
Tinha acabado de encontrar um novo grande amor para minha vida e nem sabia!