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Archive for the ‘Devaneios’ Category

PostHeaderIcon As marcas dos tempos

Quando eu era criança, tinha minhas bisavós ainda vivas, mas não me lembro muito bem de ter tantos idosos na família. De repente, o tempo passou e me vejo cercada de pessoas de idade, amigos, conhecidos, desconhecidos e da família.
Acho que desde sempre gostei de estar com pessoas de idade, tenho paciência, gosto de ouvir histórias antigas, de saber como eram jovens apesar de odiar que o tempo passe para mim.
Neste último feriado fui visitar a Dona Landa novamente, me avisaram que ela tinha retirado a sonda e que já estava começando a falar alguma coisa e as vezes abria os olhos. Fui até a casa de repouso para lhe dar um abraço, fiquei muito feliz em poder vê-la sentada, passear com ela no jardim, contar algumas coisas para ela e aproveitar para dizer que sentia saudades do tempo em que ia na sua casa, passando agradáveis tardes.
Lá na casa de repouso, quando fui levar um danete na cozinha, uma senhorinha me agarrou pelos braços e pediu para que eu ficasse com ela, e não fosse embora. Isso me deixa muito triste, porque apesar de ver que estão todos bem tratados eles devem sentir muito a falta da família.

Eu e vó Landa no jardim

O Du me fotografou de longe, adorei esta foto – parece dizer: me perdoe, perdi muito tempo pensando em mim e deixei de te ver tanto quanto eu queria, pode ser tarde, mas agora estou aqui, porque te amo, porque você sempre foi uma avó querida do coração. Você pode não mais me conhecer, mas só o fato de poder segurar sua mão e acariciar seus cabelos de algodão já me bastam.  Preciso do seu perdão!
Hoje passei para ver a minha vó, mas ela não estava em casa, então fui até a casa da Sã.
Pedi para o avô dela – seu Zé -, que tem a mesma idade da minha avó Erna – 89 anos -, para que deixasse que eu o fotografasse, fiquei comovida quando ele pediu se eu podia esperar ele se trocar, pois aquela camisa que ele estava não era bonita, então ele se trocou, colocou uma camisa social, arrumou para dentro das calças e perguntou como eu queria que ele ficasse para a foto. E a foto saiu assim:

SEu Zé e Dick

Esta foto também me diz muito, no auge dos seus 89 anos, seu Zé ainda tem vaidade, tem um sorriso, um cachorro amigo e se lembra de tudo da sua infância, juventude, maturidade… lembra dos amigos da rua, do nome de todos, de datas e tudo mais. Pode não ouvir mais, mas tem seu fiel companheiro Dick que juntamente com ele sorri para uma simples foto.

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Alessandra e vô Zé.

Não devemos abandonar nossos velhos nem esquecer da nossa própria história… o tempo passa igualmente para todos, mas alguns ainda tem a felicidade no coração, outros a amargura que o tempo deixa, mas da mesma maneira que nos cuidaram o quanto puderam, façamos o mesmo, sempre.

PostHeaderIcon O que foi e nunca será

Nasceu um bebê perfeito, amado, talvez não planejado ou esperado.
Foi uma criança talvez difícil, só quem conviveu pode dizer. Tinha medo, não entendia.
Cresceu, não era nenhuma princesa ou beldade, mas tinha lá seus charmes e encantos.Seu forte era a inteligência que nunca lhe serviu de nada.
Teve o primeiro namorado, mas não o primeiro amor. Teve seus ficantes, mas não seus amores. Teve a primeira transa, a segunda, a terceira; mas não seu verdadeiro amor.
Conheceu um dia uma pessoa especial, a primeira transa com seu verdadeiro amor. Mas deixou que a vida passasse e levasse o verdadeiro amor embora.
Os anos se passaram e tudo sempre foi tão igual.
Achava que era feliz.Saia para tomar porres com os amigos e sempre estava feliz, experimentou maconha – gostou, mas nunca mais usou; preferia beber todas e continuar feliz. Poderia ter experimentado todas as drogas do mundo, mas era careta demais para isso também.
Sexo sempre foi bom, também a deixava feliz.
Fez muitas cagadas na vida, deu muita cabeçada, mas ainda assim achava que poderia continuar feliz. Não consegui ouvir as vozes que a cercavam.
Nunca soube realmente o que era a felicidade, sempre o passado era ou foi o melhor tempo da sua vida.
Agora, meia vida, igual a pneu que não presta para muita coisa.
A bebida já não a deixa feliz, apenas por uma ou duas horas, o que realmente a deixa feliz são seus sonhos dormidos engraçados, perigosos, onde pode ser a vilã, a mocinha, a donzela ou a puta preferida do seu macho perfeito.
Deixou a vida escorrer pelas mãos como areia no deserto.
Hoje não sabe mais se o amor existe, se a amizade existe, se a vida existe ou valha a pena para ser vivida.
Os encantos não mais existem, a única tortura é ainda ter inteligência que não vale para nada, o corpo deixou de existir, o sorriso deixou de aparecer, o que lhe resta é esperar a vida continuar passando sem deixar muitos danos aparentes.

Quem quer ser assim?

PostHeaderIcon Prisioneiros

Muitas vezes eu fico olhando para alguns animais e imaginando que eles tem uma alma presa em um corpo que as vezes é muito limitado para eles.
Seus olhos dizem mais que mil palavras, sua felicidade infinita mesmo depois de uma grande bronca, sua lealdade e sua pureza, são tantas as qualidades que as vezes não parecem pertencer àquele corpo limitado, sem palavras.
Tantas vezes também fico imaginando que não pertenço a este corpo. Nunca fui uma pessoa vaidosa ao extremo, mas o mínimo de estética seria natural.
Conversei muito com minha avó nesta semana que minha mãe estava viajando e ela me disse que desde sempre foi uma pessoa depressiva e que imaginava que morreria aos 18 anos. Muitos 18 anos se passaram, e ela ainda está aí. Se contenta com pouco, não sai, não gosta de aglomerações, se satisfaz com a família, suas novelas e seus crochês.
Acho que puxei a ela nesse sentido, nunca encontrei um verdadeiro sentido na minha vida, os desafios são desamarrados tão simplesmente que acabo por não me interessar. Amo minha família, minhas filhas acima de tudo, amo meus bichinhos; ao mesmo tempo encontro tanta maldade e desigualdade que também acho que não pertenço a este mundo.
Já nem sei se existe alguma vida após a morte, ir e voltar tantas vezes para quê?
A vida é bela, maravilhosa? Sim! Se você olhar o céu, a chuva, o luar, os animais ela é sim, maravilhosa; mas e o que está por trás do cotidiano?
Eu gosto de sentar e ficar observando  tudo a minha volta, se possível registrar alguns momentos em foto e fazer disso tudo poesia para tentar tornar tudo o que acho feio em beleza.
De que vale a vida ser maravilhosa apenas em meu mundo particular e em meus sonhos todas as noites? Queria encontrar respostas e maneiras de arrumar o que acho que está errado, impossível!

Então, de que vale a pena ficar presa em um corpo que não me pertence, em um mundo que não me pertence, em meus sonhos que são irreais, em minha imaginação  se somos todos apenas uma essência?

Queria me deitar com meus cães em um lugar lindo e sossegado e esperar que o tempo me levasse, simples assim.

PostHeaderIcon 90/152

Havia quatro meses que não me pesava. Porque? Horas… longa história.
Após lugar para ter sempre 52 quilos, engravidar duas vezes seguida e chegar aos 120 quilos, consegui milagrosamente voltar aos 50 depois de muita humilhação vinda do meu ex putíssimo marido.
Estava eu feliz com meu peso quando, ao conseguir uma cirurgia plástica no hospital das clínicas em São Paulo tinha acabado de descobrir que estava com endometriose e já estava fora do peso novamente, com 63 quilos, quando o médico disse que teria que emagrecer uns 5 quilos para fazer a cirurgia.
Daí para frente minha vida e meu corpo viraram um inferno.
Primeiro que não conseguia emagrecer e o médico disse que primeiro teria que fazer o tratamento da endometriose para depois fazer a cirurgia plástica, depois que os exames que tinha feito duravam apenas três anos.
O tratamento da endometriose me custou dois anos inteiros da minha vida tomando toneladas de hormônios e mais um ano até descobrir que teria que fazer uma cirurgia para a retirada de um endometrioma, aí já me sentia uma beluga branca, com 70 quilos.
Daí para a frente tudo só piorou.
Comecei a fazer natação para ver se emagrecia, nada, consegui mais uns 4 quilos que a professora dizia ser massa muscular, balela! Era apenas mais banha, fui e voltei dos 70 quilos e 78 durante mais uns dois anos, fiz três meses de musculação, mais uns três de caminhada diária,  quando percebi já estava com 80 quilos, quando comecei a trabalhar já estava com 84, emagreci uns três e comecei a engordar novamente e deprimida parei de me pesar, quando, ontem, após 4 meses sem me pesar resolvi encarar a balança novamente… surpresa!!!!!! 90 quilos.
Meus primeiros pensamentos foram: cortar minha garganta, cortar meus pulsos, fazer  haraquiri, me sufocar no travesseiro, jogar o carro num barranco, pular da terceira ponte e ficar deprimida.
Claro que o último pensamento é o que vale. De que vale se olhar no espelho e estar cada vez maior, de uma beluga para uma orca em poucos anos?  A Beatriz me chama de Txilito, quase igual a baleia do Seaworld – Txilittum – que matou a treinadora nesta semana.
Odeio estar assim e  não encontro graça em nada. Talvez infeliz para sempre, mas por fora… tento me fazer feliz e fazer com que as pessoas riam, pelo menos alguem tem que sorrir da vida!

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Nada volta, e, se um dia voltar já não será mais o que era antes.
Meus sonhos ficam, sonhos de menina, mas o tempo já não nega que esses eles são apenas uma forma de me manter viva, de me fazer lembrar do que um dia eu fui ou pensava em querer ser.
Vai chegar o dia em que os meus olhos fecharão e neles não serão mais passados os filmes dos sonhos noturnos, nem os filmes dos sonhos em que não preciso fechar meus olhos.
As vezes sinto que meus sonhos são realidade e que minha realidade não passa de um tempo perdido por nada.
Já fui apaixonada por homens, hoje sou apaixonada por coisas que realmente me trazem prazer ou paz.
Me entusiasmei com muita coisa, hoje? nem sei dizer.
Tinha medo de escuro, hoje ele é meu maior companheiro, é na escuridão que deito meu corpo e fecho meus olhos para passar horas adoráveis sonhando o inesperado.
Eu já quis abraçar o mundo, hoje só quero a paz.
Tenho saudades do passado, mas não quero ele de volta.

PostHeaderIcon Grande amor, grande paixão

20 anos depois de achar que perdeu o grande amor da sua vida você está passando por uma avenida movimentada, quando, saindo de um posto de gasolina você dá passagem para um sujeito gordo, muito gordo, careca, barrigudo, suarento que ironicamente foi a sua grande paixão um dia.
Aí você para e pensa, meus cabelos hoje são horríveis, um milharal, mas ele nem cabelo tem mais. Você está bem acima do peso, mas ele está muito mais. Você não se acha e realmente não é mais atraente, e ele muito menos do que você. Sua pele não é mais jovem, a dele além de tudo sua em bicas. Seus dentes já estão amarelos pelo tempo, será que ele ainda tem dentes? Só podemos nos reconhecer mesmo pela cor de nossos olhos e no modo de nos olharmos.

20 anos, 1/3 da vida? 1/4? 1/2 vida? Não sei, só sei que para o corpo é muito tempo e para minha mente mais tempo ainda.
Não acredito em amores eternos, não acredito em amores, nunca deveria ter acreditado que o amor era algum sentimento real na vida das pessoas.
O que tirar de bom disso tudo? Nada. Apenas sei que pelo menos a seleção genética em seus filhos foi muito do melhor que a dos filhos dele!

A vida é ironicamente ridícula!

Bjunda da Nibelunga )(