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Repensando minhas prioridades
Ter saudades ou se fazer presente a qualquer custo?
Sinto que a cada dia falo menos e observo mais o que me rodeia.
Está chegando o tempo do meu inferno astral… a cada ano penso que pode ser o último ou desejo que seja o último.
Porque será que tem gente que tem sede de vida e eu, simplesmente vivo.
Acho muita coisa linda e maravilhosa, claro! pois não sou cega, mas justamente por não ser cega é que vejo tanta diferença, tanta indiferença, tanta doença, tanta dificuldade para tanta gente.
Ah! Talvez se tivesse nascido com pensamentos mais limitados não sofresse tanto interiormente, tanta coisa que não gosto de presenciar, tanta coisa das quais tento fugir…
Chegou minha época da complicação psicológica… vou sobreviver a mais uma.
Bjunda da Nibelunga )(
O Pequeno Valente
Há dez anos atrás, meu sogro disse que tinha um cachorrinho lindo (um teckel de um ano) lá no depósito da prefeitura e perguntou se não queríamos ele.
Eu nunca gostei de cachorros pequenos, mas sempre amei cachorros e como o Bundão começava a apresentar os primeiros sintomas de câncer resolvi tentar. Levei a Bruna comigo e fomos ver o tal cachorrinho que se chamava Toquinho.
A dona não o queria mais pois a filha tinha rinite, parecia um bom cãozinho, mas bravo.
Tive que trazê-lo no porta-malas do pálio, isso mesmo, lá, bem fechadinho, pois era meio encapetado.
Ao chegar em casa queria se tornar o dono do pedaço, e o Bunds, com toda a paciência do mundo mostrou que ele era muito bem-vindo mas a casa ainda era dele…

Eita cãozinho bravo, que não aceitava ir para fora para dormir, que mordia sempre que queríamos pegá-lo, mas com o tempo ele amansou.
Nosso bravo Toquinho era, ao mesmo tempo valente e carismático.
Ficou gordo, passou por apuros quando ainda tinha uns seis anos, quase morreu. Fizemos de tudo, até mesmo levá-lo para Jaboticabal para ver se conseguíamos curá-lo, até que no dia que decidimos que o melhor seria sacrificá-lo ele se levantou como se dissesse, não! eu ainda quero ficar! E nosso bravo se levantou mais uma vez, foi operado e sobreviveu.
Encrenqueiro, gostava de latir, gostava de ir passear, correr no terreno, fazer seu xixizinho… gostava da Bruna e a Bruna amava ele, mesmo levando várias mordidas ao longo da vida.
Tinha uma carinha triste, mas no fundo era feliz.
Logo depois que o Bundão morreu, ele começou a ter problemas cardíacos, o qual tratamos durante todo esse tempo.
Infelizmente há um mês ele piorou, achei que morreria naquela noite, mas não foi. Foi tratado, melhorou, mas estava proibido de subir escadas, latir, se alterar ou se excitar…. como segurar um cachorrinho com vontade de viver mas com um coraçãozinho fraco?
Hoje pela manhã ele recusou comida, recusou seus remédios mas, mesmo assim foi novamente ao veterinário. O prognóstico não era bom, mas achei que ainda teríamos aquele baixinho encrenqueiro por mais algum tempo. Mas seu coração disse o contrário, e as 13h00 de hoje ele se foi.
É uma grande perda, e uma tristeza sem fim. Mas acho que Deus mandou o Banjo na hora certa e com o propósito de nos preparamos para a perda do Toquinho ou já termos um novo amigo para a Shiva. Não sei!
Tenho certeza que ele subiu com suas pequenas asas e foi recebido pelo Bundão no céu colorido dos cachorrinhos, e agora não tem mais dor, não tem mais falta de ar, pode encher seus pulmões e correr o quanto quiser na imensidão do céu.
Vai meu bonito, vai meu valente… continue olhando por nós daí de cima, nos protegendo, nos cuidando, nos amando… nós não te esqueceremos… nunca!
Já com saudades de ti meu amiguinho!
Anne
















